
Depois da devastadora passagem dos furacões Harvey, Irma e Jose pelos Estados Unidos, mais uma tempestade de categoria 1, desta vez chamada Maria, se formou neste domingo no mar do Caribe. O furacão se aproxima pelo leste das Pequenas Antilhas e de Porto Rico, que já estão em alerta para a chegada do fenômeno meteorológico. Porém, as tempestades não chamam a atenção do público só pelo seu grande poder devastador, mas também pelos nomes que carregam. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), que atualmente cuida da nomeação de novos furacões, batizar tais fenômenos com nomes de pessoas foi uma estratégia para ajudar na divulgação de alertas. A justificativa é que esse tipo de identificação seria mais fácil de lembrar do que números. Mas como são escolhidos os nomes dos furacões?
“A experiência mostra que o uso de nomes curtos e distintos em comunicações escritas e faladas é [uma estratégia] mais rápida e menos sujeita a erros do que os mais antigos métodos de identificação por latitude e longitude”, escreve a WMO na descrição de seu programa de Nomeação de Ciclones Tropicais. “Essas vantagens são especialmente importantes na troca de informações detalhadas sobre tempestades entre centenas de estações meteorológicas amplamente espalhadas, bases costeiras e navios no mar.”
Segundo a organização, no início, os nomes eram escolhidos arbitrariamente. No meio da década de 1900, os meteorologistas deram início à prática de usar nomes femininos para esses fenômenos. Uma tempestade atlântica que rasgou o mastro de um barco chamado Antje, por exemplo, tornou-se conhecida como o furacão de Antje graças ao acontecimento.
Em busca de um sistema de nomeação mais organizado e eficiente, os meteorologistas decidiram, então, criar uma lista alfabética para nomear os furacões. Dessa forma, uma tempestade com um nome que começa com A, como Anne, seria a primeira do ano; uma que começa com B seria a segunda e assim por diante. Pouco menos de dez anos depois da instituição do sistema que utilizava apenas nomes femininos, os meteorologistas adotaram também os nomes masculinos, dessa vez para furacões que se formavam no Hemisfério Sul.
Listas
“Desde 1953, as tempestades tropicais atlânticas foram nomeadas a partir de listas criadas pelo Centro Nacional de Furacões. Agora, elas são mantidas e atualizadas por um comitê internacional da Organização Meteorológica Mundial”, explica a WMO. Segundo a organização, as listas de nomes originais apresentavam apenas nomes de mulheres. Em 1979, os nomes masculinos foram introduzidos à relação e alternados com os nomes femininos no critério de seguir a ordem alfabética. Há, ao todo, seis listas com os nomes das tempestades que devem ocorrer em um ano, que são usadas em rotação. Assim, a lista com os nomes dos furacões de 2017, por exemplo, será usada novamente em 2023.
A única situação que admite uma mudança na lista é se a tempestade é tão forte ou mortal que o uso de seu nome em um fenômeno futuro torna-se inadequado por razões de sensibilidade. Se isso acontecer, os membros do comitê da WMO decidem, em uma reunião anual que discute também outras questões, um nome substitutivo para as próximas tempestades. Alguns exemplos de furacões que passaram por isso são Haiyan (Filipinas, 2013), Sandy (Estados Unidos, 2012), Katrina (Estados Unidos, 2005), Mitch (Honduras, 1998) e Tracy (Austrália, 1974).
Fonte: Revista Veja







0 comentários:
Postar um comentário