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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A “epidemia” que matará mais gente do que o câncer (se não for evitada)

Há muitos perigos que ameaçam a humanidade em seu caminho rumo a um mundo melhor em 2030, quando terá que prestar contas para comprovar se os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram alcançados. Certamente, o mais conhecido é a mudança climática, que há anos está na agenda internacional. Outro perigo, mais desconhecido da opinião pública, pode se tornar a primeira causa de morte em 2050 se não forem tomadas medidas contundentes para detê-lo: a resistência aos antibióticos.
“Trata-se de uma ameaça terrível, com grandes implicações para a saúde humana. Se não abordarmos isso, o avanço em direção aos ODS será freado e nos levará ao passado, quando as pessoas arriscavam suas vidas devido a uma infecção em uma pequena cirurgia. É um problema urgente”, disse na quinta-feira Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma reunião no âmbito da 72ª Assembleia das Nações Unidas (ONU), em Nova York. York.
A resistência aos antibióticos é uma resposta dos microrganismos ao uso desses medicamentos. Seu uso — e especialmente seu abuso — faz com que, por meio de diferentes mecanismos biológicos, percam sua eficácia. As bactérias deixam de ser sensíveis aos seus efeitos e são necessários princípios ativos cada vez mais agressivos — e tóxicos para o organismo humano — para eliminá-las. Com sorte. Porque já existem superbactérias que resistem até mesmo aos antibióticos de última geração. “As resistências estão aqui para ficar e vão piorar”, alertava Sally Davies, diretora médica do Reino Unido.
Por causa dessa resistência, cerca de 700.000 pessoas morrem todos os anosno mundo. O cenário com o qual os especialistas trabalham em seus estudos é que, se a situação não mudar, esse número chegue a 10 milhões em 2050. Para se ter uma ideia da magnitude da tragédia, hoje morrem pouco mais de oito milhões de pessoas por ano devido ao câncer. A grande maioria dos casos fatais estaria na Ásia (4,7 milhões) e na África (4,1 milhões), seguidas pela América Latina (392.000), Europa (390.000), América do Norte (317.000) e Oceania (22.000).
Xoliswa Harmans, conselheira da clínica Lizo Nobanda, da Cidade do Cabo, África do Sul. Estas profissionais de saúde são fundamentais para os doentes quando enfrentam um tratamento que durará pelo menos dois anos. Pacientes de tuberculose extremamente resistente encontram apoio emocional e informações durante esse processo.ampliar foto
Xoliswa Harmans, conselheira da clínica Lizo Nobanda, da Cidade do Cabo, África do Sul. Estas profissionais de saúde são fundamentais para os doentes quando enfrentam um tratamento que durará pelo menos dois anos. Pacientes de tuberculose extremamente resistente encontram apoio emocional e informações durante esse processo. ALFREDO CÁLIZ
A boa notícia é que a preocupação passou do plano científico, onde era debatido há décadas, para o político. Em 2016, na 71ª Assembleia Geral da ONU, o assunto foi discutido no mais alto nível pela primeira vez. Exatamente um ano depois, quando mudaram tanto o Secretário-Geral da ONU como o diretor da OMS, a preocupação de perder o interesse gerado foi explicitada por alguns oradores do encontro chamado Progressos, desafios, oportunidades e novas formas de abordar a resistência aos antibióticos, organizado pela UN Foundation.
Essas novas formas passam por abordar os dois grandes geradores de resistências: o uso indevido em seres humanos e o abuso nos animais. No que diz respeito às pessoas, são drogas que muitas vezes não exigem receita e é frequente que sejam consumidas à vontade. Particularmente perigoso é tomar de forma incompleta, porque o micro-organismo não chega a ser eliminado, mas conhece seu inimigo aprendendo a lutar contra ele. “Costuma-se debater que sempre é necessária a receita, mas em muitas partes do mundo este é um processo complicado que privaria milhões de pessoas do tratamento. Precisamos encontrar as soluções mais adequadas para cada realidade”, observou Julie Gerverding, vice-presidenta da farmacêutica Merck. “O necessário é um diagnóstico no começo para que o paciente tenha o tratamento correto o quanto antes”, acrescentou.
Por causa das resistências já morrem cerca de 700.000 pessoas por ano no mundo
As campanhas de informação, tanto para médicos quanto para pacientes, são uma das principais ferramentas para evitar esse mau uso de antibióticos. Jean Halloran, diretora das iniciativas de alimentação da União de Consumidores, explicou que sua organização está desenvolvendo em 20 países uma campanha que incentiva o uso de menos remédios. Nos consultórios, por exemplo, facilitam uma lista de perguntas que o próprio paciente deveria fazer ao seu médico se ele prescrever um antibiótico para ter certeza que é absolutamente necessário.
Mas talvez a arma mais valiosa para combater a resistência sejam as vacinas. Com elas, evitamos um grande número de doenças bacterianas comuns, o que torna os antibióticos desnecessários. “Imunizar 100% das crianças do mundo seria mais eficaz do que qualquer outra coisa”, afirmou Tim Evans, diretor de Saúde do Banco Mundial.
Sua organização calculou os custos da resistência. Em março passado publicou um relatório mostrando que não apenas são um perigo para a saúde, mas também para a economia. No melhor dos cenários, calculam uma queda do PIB mundial de 1,1% em comparação com o que aconteceria se não existisse, o que equivale a um trilhão de dólares por ano até 2030. O cenário mais pessimista eleva esse número para 3,8% de queda, 3,4 trilhões anualmente.
Não só o medicamento em seres humanos tem um papel importante nestes números. Outro dos grandes focos de resistência é a agricultura e o gado. Os animais recebem enormes quantidades de antibióticos para prevenir e curar as doenças comuns que ocorrem em ambientes lotados. E em muitos países (não na União Europeia), ainda está permitido administrar pequenas doses para favorecer a engorda. Este é o ambiente perfeito para que as bactérias se tornem resistentes.
Mas, ao mesmo tempo, a administração de medicamentos aos animais é necessária para a segurança deles mesmos e dos seres humanos. E seu uso vai continuar a crescer. De acordo com estimativas da agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), vai dobrar nos próximos 20 anos pela intensificação da pecuária e da aquicultura. E também o tratamento das plantas, através da utilização de antibióticos nos pesticidas, contribui para a resistência.
O PIB mundial pode sofrer entre 1,1% e 3,8% pela “epidemia”, de acordo com estimativas do Banco Mundial
FAO faz uma série de recomendações para detê-la: práticas sustentáveis, com boa higiene e medidas de biossegurança para começar a reduzir a necessidade de antibióticos; melhorar a prática veterinária; conhecimento do uso das drogas entre os agricultores e pecuaristas; acesso a diagnósticos rápidos...
Também nos animais as vacinas têm um papel crucial. Bard Skjesltad, chefe de Biologia e Nutrição da empresa aquícola Salmar, explicava que com imunizações conseguiram reduzir o uso de antibióticos para 1%, enquanto produzem entre três a quatro vezes mais comida. “Quando você para de medicar os animais enfrenta problemas de saúde, mas o fundamental são as medidas preventivas”.
Nos países desenvolvidos, as redes de fast food são a chave para combater o problema. De acordo com Jean Halloran (União de Consumidores), são as responsáveis pela produção de 25% das aves nos EUA. Nestes animais, estão conseguindo enormes reduções, começando pelo McDonald's, que anunciou que iria parar de usar antibióticos neles. “Com a carne bovina e suína os progressos são mais lentos, mas podem ser feitos”, disse Halloran, que argumenta que já foi demonstrada a possibilidade que a produção em massa diminua o consumo de medicamentos com um custo muito baixo.
Mas o relógio está correndo contra a saúde global quando falamos de resistência aos medicamentos. As medidas precisam ser tomadas agora. Porque, como alertava o diretor da OMS, há poucos medicamentos novos que conseguirão resolver um problema que pode se tornar a maior epidemia nos próximos anos.
Fonte:brasil.elpais.com

Se está na cozinha, é uma mulher: como os algoritmos reforçam preconceitos

Um homem calvo, de uns 60 anos, mexe com suas espátulas de madeira alguns pedaços de carne dentro da frigideira. Usa óculos de acetato, calça jeans e está em frente ao fogão de sua pequena cozinha, decorada com tons claros. Ao ver essa imagem, a inteligência artificial, regida por algoritmos, não tem dúvida e, graças à sua sofisticada aprendizagem, rotula assim: cozinha, espátula, fogão, mulher. Se está numa cozinha, em frente ao fogão, deve ser uma mulher. Uma equipe da Universidade da Virgínia acaba de publicar um estudo que indica, mais uma vez, o que muitos especialistas vêm denunciando: a inteligência artificial não apenas não evita o erro humano derivado de seus preconceitos, como também pode piorar a discriminação. E está reforçando muitos estereótipos.
Em seu trabalho, os cientistas analisaram os dados de dois gigantescos bancos de imagens, usados habitualmente para treinar as máquinas, examinando o que os robôs aprendiam com tais imagens. Inicialmente, os homens protagonizavam 33% das fotos que continham pessoas cozinhando. Após treinar uma máquina com esses dados, o modelo mostrou sua fraqueza: deduziu que 84% da amostra eram mulheres. “Sabe-se que as tecnologias baseadas em big data às vezes pioram inadvertidamente a discriminação por causa de vieses implícitos nos dados”, afirmam os autores. “Mostramos que, ao partirem de uma base enviesada sobre gênero”, acrescentam, os modelos preditivos “amplificam o viés”.
As máquinas se tornam mais sexistas, racistas e classistas porque identificam a tendência subjacente e apostam nela para acertar. Já é bem conhecido o caso de Tay, o robô inteligente projetado pela Microsoft para se integrar nas conversas do Twitter aprendendo com os demais usuários: a empresa precisou retirá-lo em menos de 24 horas porque começou a fazer apologia do nazismo, assediar outros tuiteiros e defender o muro de Trump. A essa altura, são vários os exemplos de algoritmos que exacerbam os preconceitos e discriminações, colocando em questão a grande promessa desses sistema: eliminar o erro humano da equação. Os algoritmos nos condenam a repetir o passado do qual queríamos fugir, ao replicar os preconceitos que nos definiam.
As tecnologias baseadas em big data às vezes pioram inadvertidamente a discriminação por causa de vieses implícitos nos dados
O Google começou a rotular as pessoas negras como gorilas, e o Google Maps situava “a casa do negro” na Casa Branca da era Obama. As fotos dos usuários negros do Flickr são classificadas como “chimpanzés”. A inteligente Siri da Apple, que tem resposta para tudo, não sabe o que dizer quando a dona do celular lhe diz que foi estuprada. O software da Nikon adverte o fotógrafo de que alguém piscou quando o retratado tem traços asiáticos. As webcams da HP não podem identificar e seguir os rostos mais morenos, mas o fazem com os brancos. O primeiro concurso de beleza julgado por um computador colocou uma única pessoa de pele escura entre os 44 vencedores. Nos Estados Unidos, a Amazon deixa fora de suas promoções os bairros de maioria afro-americana (mais pobres). O Facebook permite que os anunciantes excluam minorias étnicas de seu target comercial e, ao mesmo tempo, que incluam pessoas que se identificam explicitamente como antissemitas e também jovens identificados por seus algoritmos como vulneráveis e depressivos.
“Prometendo eficácia e imparcialidade, [os algoritmos] distorcem a educação superior, aumentam a dívida, estimulam o encarceramento em massa, golpeiam os pobres em quase todas as situações e solapam a democracia”, denuncia Cathy O'Neil, especialista em dados e autora do revelador livro Weapons of Math Destruction (armas de destruição matemática), em que examina todos os desastres algorítmicos a partir de sua formação como doutora em Matemática na Universidade Harvard e sua experiência de trabalho como data scientist no mundo financeiro. “Ir à faculdade, pedir dinheiro emprestado, ser condenado à prisão, encontrar e manter um trabalho. Todos esses campos da vida estão cada vez mais controlados por modelos secretos que proporcionam punições arbitrárias”, alerta.
O Google começou a rotular as pessoas negras como gorilas, e o Flickr as classificou como chimpanzés
Como afirma O’Neil, os preconceitos dos algoritmos podem ser ainda muito mais perigosos. A redação da ProPublica, uma ONG sem fins lucrativos que se descreve como independente, comprovou isso meses atrás ao descobrir que um programa usado na Justiça dos EUA para prevenir a reincidência dos presos era notavelmente racista. Os acusados negros eram duas vezes mais propensos a ser mal rotulados como prováveis reincidentes (e tratados de forma mais dura pelo sistema penal), enquanto os acusados brancos que de fato reincidiram foram rotulados como de “baixo risco” com duas vezes mais probabilidade que os negros. Os cidadãos, e certamente os condenados, ignoram que seu futuro está sendo decidido por um programa de informática viciado que será tão racistaquanto o juiz mais racista. Fria, enviesada e meticulosamente racista.
Uma pesquisa da Universidade Carnegie Mellon descobriu que as mulheres têm menos chances de receber anúncios de emprego bem remunerado no Google. Os programas usados nos departamentos de contratação de algumas empresas mostram uma inclinação por nomes usados por brancos e rejeitam os dos negros. As autoridades policiais de várias cidades utilizam softwares que ajudam a prever os lugares onde o crime é mais provável; desse modo, comparecem mais a essas zonas, detêm de novo mais pessoas ali e reforçam esse ciclo negativo. E os seguros são mais caros e severos nos bairros pobres de maioria negra. “O resultado é que criminalizamos a pobreza, achando que nossas ferramentas são não apenas científicas, como também justas”, resume a especialista.
Prometendo eficácia e imparcialidade, golpeiam os pobres em quase todas as situações e solapam a democracia
Em alguns casos, afirma O’Neil no livro, os problemas do algoritmo se devem a uma falha na seleção dos dados. Em outros, ao preconceito subjacente na sociedade, que o software simplesmente incorpora para acertar. Mas o maior problema é o modelo econômico. “Quando se elaboram sistemas estatísticos para encontrar clientes ou manipular devedores desesperados, as receitas crescentes parecem mostrar que eles estão no caminho correto. O software está fazendo seu trabalho. O problema é que os lucros acabam servindo como um substituto da verdade”, diz ela. O’Neil denuncia que isso é uma “confusão perigosa” que surge “de maneira reiterada”. O Facebook deixa que seu algoritmo selecione e venda anúncios a “pessoas que odeiam os judeus” e “adolescentes vulneráveis” porque se enriquece desse jeito; se as pessoas lhes pagam por isso, não podem estar erradas.

Um regulador ante a falta de transparência

Muitos desses problemas são descobertos por jornalistas, pesquisadores e instituições. Outros se tornam manifestos e obrigam a empresa a corrigi-los. Mas o que acontece com todos os processos que já estão mecanizados e que desconhecemos como nos afetam? Como uma mulher saberá que foi privada de ver um anúncio de emprego? Como uma comunidade pobre poderá saber que está sendo assediada policialmente por um software? Como se defende um criminoso de uma minoria étnica que ignora que um algoritmo o tem na mira? O Facebook e o Google, por exemplo, são perfeitamente conscientes desse problema e até nos explicam como ocorre, mas são absolutamente opacos e não permitem que ninguém monitore esses vieses de maneira eficiente, critica O’Neil. Há muitos programas desse tipo sendo aplicados no sistema judicial norte-americano, mas seus preconceitos são desconhecidos porque cada empresa mantém seus algoritmos em segredo, como a fórmula da Coca-Cola.
O software está fazendo seu trabalho. O problema é que os lucros acabam servindo como um substituto da verdade
Se o algoritmo foi transformado em lei, deve ser transparente, acessível, discutível e passível de emendas, como a própria lei. É o que exigem cada vez mais especialistas e organismos, como a Liga de Justiça Algorítmica (AJL) e a Inteligência Artificial Agora. Eles afirmam que o problema das máquinainteligentes são os seus enormes preconceitos sociais, não a possibilidade de que levem a um apocalipse no estilo O Exterminador do Futuro. E que, portanto, é preciso criar reguladores públicos para revisar seus sistemas. Trata-se de uma crise que só irá crescer: dias atrás, causou escândalo um polêmico algoritmo que pretendia identificar os gays por sua cara. Nos EUA, metade da população já tem seu rosto registrado em bases de dados policiais de reconhecimento facial. E os gigantes da rede já conhecem até nossa orientação sexual, mesmo que não sejamos usuários de seus serviços. “Não podemos contar com o livre mercado para corrigir esses erros”, conclui O’Neil.
Fonte: brasil.elpais.com

Dieta da mãe afeta circuitos cerebrais de suas crianças



Pesquisadores franceses descobriram que camundongos que seguiram uma dieta pouco saudável durante a gravidez tiveram filhotes mais pesados, e que preferiam acentuadamente o gosto de gordura logo após o desmame. Embora a adoção de uma dieta balanceada na infância pareça reduzir o desejo do filhote por gordura, eles ainda assim mostraram alterações nos circuitos de recompensa no cérebro ao atingirem a idade adulta.

A dieta do ocidente é cheia de alimentos calóricos - de hambúrgueres a chocolates, consumimos quantidades significativas de gordura e açúcar. Os custos para a saúde são bem conhecidos, e problemas como obesidade e diabetes estão relacionados a comer em excesso.

Fatores básicos para a obesidade incluem o modo como metabolizamos a comida e nossa tendência a comer em excesso e a procurar por alimentos calóricos. O prazer que temos ao comer vem dos circuitos de recompensa do cérebro - e mudanças nesses circuitos podem contribuir para a alimentação em demasia.

Surpreendentemente, mães grávidas ou em período de amamentação que comam quantidades significativas de alimentos calóricos podem aumentar o risco de seus filhos virem a ser obesos mais tarde na vida. Contudo, os cientistas ainda não entendem por completo o mecanismo por trás desse fenômeno.

Em um estudo recentemente publicado na revista científica Frontiers of Endocrinology, cientistas utilizaram camundongos para pesquisar a relação entre a dieta da mãe e o peso de sua prole, a relação de seus filhos com comida e os seus circuitos cerebrais. A equipe de pesquisa alimentou os animais com uma dieta rica em gordura e açúcar (que chamavam de “dieta do ocidente”) ou com uma dieta balanceada durante a gravidez e a amamentação. Eles acompanharam os filhotes desde logo após o desmame, passando pela adolescência e chegando até o início da vida adulta.

Em um primeiro momento, uma vez que aconteceu o desmame, os filhotes receberam uma dieta balanceada; mas, em momentos específicos, os pesquisadores permitiram que alguns dos animais escolhessem entre provar um líquido gorduroso e um sem gordura. O líquido não era gorduroso o suficiente para afetar os filhotes, mas dava chance para que a equipe avaliasse a preferência deles por gordura. Utilizando amostras de tecido do cérebro, também investigaram a expressão gênica e as mudanças cerebrais associadas com os circuitos de recompensa dos filhotes.

Enquanto os filhotes das mães submetidas à dieta ocidental tinham um peso normal quando nasceram, eles ganharam mais peso durante a amamentação e estavam demasiadamente pesados à época do desmame. É possível que suas mães tenham produzido maior quantidade de leite, ou leite mais calórico.

Quando a equipe permitiu que os filhotes escolhessem entre os dois líquidos, aqueles nascidos de mães submetidas à dieta ocidental preferiram muito mais o líquido gorduroso em comparação aos filhotes de mães com dietas balanceadas.

No entanto, quando a equipe repetiu esse teste de preferência por gordura com filhotes adolescentes, descobriu que ambos os grupos mostravam uma preferência grande e similar por gordura - e, curiosamente, os filhotes de mães submetidas à dieta ocidental perderam gradualmente seu interesse por gordura após alguns dias. Talvez esse tenha sido um mecanismo compensatório para proteger os animais a mais exposição à gordura. Na idade adulta, ambos os tipos de filhotes possuíam uma forte e semelhante preferência por gordura.

Os animais de mães submetidas à dieta ocidental também mostraram mudanças significativas nos seus circuitos de recompensa, incluindo diferenças em uma região do cérebro chamada hipotálamo e mudanças na expressão gênica associada com um neurotransmissor chamado GABA.

“Estudos anteriores demonstraram que quando filhotes de mães submetidas à dieta ocidental têm acesso ilimitado a comidas não-saudáveis, eles mantêm sua preferência por alimentos gordurosos na adolescência”, diz Vincent Paillé, pesquisador envolvido no estudo. “Embora, em nosso estudo, os filhos de mães submetidas à dieta ocidental tenham mostrado grandes mudanças em seus circuitos de recompensa, parece que uma dieta balanceada durante a infância os protegeu de uma maior preferência por gordura na adolescência.”

Essas descobertas podem ter implicações para a nutrição e para a obesidade em crianças humanas de países ocidentais.

A equipe planeja investigar mais as mudanças nos circuitos de recompensa causadas pela dieta ocidental das mães. “O modo como esses circuitos de recompensa alterados integram informações pode sofrer alterações, e esses filhotes podem se comportar diferentemente quando sob estresse, ou quando têm livre acesso a alimentos gordurosos”, diz Paillé.

Fonte: Scientific American Brasil

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Relatividade: uma subida íngreme da física



Desde 2007, o físico Leonard Susskind regularmente entregou uma série de conferências chamada Mínimo Teórico, nas bases necessárias para estudar diferentes áreas da física ( http://theoreticalminimum.com/home ). Já surgiram volumes de companheiros, o primeiro na mecânica clássica e o segundo na mecânica quântica. A Relatividade Especial e a Teoria do Campo Clássico é o terceiro volume. Como o livro sobre a mecânica quântica, é co-autor de Art Friedman e apontou, nas palavras de Susskind, "entusiastas da física" ou "pessoas que sabem, ou já sabiam, um pouco de álgebra e cálculo, mas são mais ou menos iniciantes ".
O último volume diz respeito ao mundo estranho que Albert Einstein descobriu ao combinar a teoria de campo de James Clerk Maxwell com a mecânica de Isaac Newton - um mundo em que o movimento rápido faz com que o tempo se comprima e os comprimentos diminuam. Para entender isso, são necessárias ferramentas matemáticas desafiadoras. Neste volume, como nos outros, você tem a sensação de ser levado para uma montanha lendária por um guia treinado. O guia sabe que você é um amador, mas quer que você chegue ao topo sozinho, sem ser transportado por avião em terrenos de risco. Você não percorre alguns dos mais difíceis passes ou picos, nem passou por algumas das vistas mais magníficas. É uma rota peculiar, e você encontra muitos sites em uma ordem diferente dos primeiros exploradores adotados, ou na forma como os especialistas são usados ​​para ensinar. Mas é acessível. E você chega ao topo.
O caminho começa com a primeira palestra, uma discussão de quadros de referência. Estas são ferramentas para rotular as posições de objetos em seu espaço imediato, e em espaços que se deslocam em relação ao seu (como em um trem), que permitem que você vá e volte entre os espaços. Compreendê-los é uma habilidade importante para percorrer os pontos difíceis à frente. Outras ferramentas essenciais incluem espaço-tempo, em que o quadro de referência inclui tempo e espaço; tempo adequado; e quatro vetores, tipos especiais de caminhos e objetos no espaço-tempo.
Em um livro sobre relatividade especial, você pode esperar encontrar a equivalência de massa e energia de Einstein, E = mc 2, perto do início. No entanto, você não encontra isso até a Palestra 3, com cerca de 100 páginas, onde é derivado refrescante dos primeiros princípios. Você não obtém a importante equação de Euler-Lagrange, que descreve o movimento das partículas, até a Palavra 4. A equação de Poisson, para o potencial eletrostático de uma partícula e a equação de Klein-Gordon, que descreve uma partícula como uma onda e relativisticamente, don 't aparece até a Conferência 5. A invariância do calibre, a base da teoria do campo moderna, aparece primeiro na Palestra 7; As equações de Maxwell, que fornecem a base do eletromagnetismo clássico, se materializam na Palestra 8; e o vetor Poynting, que descreve o fluxo de energia nas ondas eletromagnéticas, é o primeiro a se apresentar na Palestra 11.
Do ponto de vista de um historiador, portanto, o caminho é torrencial. Mas a abordagem de Susskind é submeter o novato a um acampamento de treinamento matemático histórico para que o caminho pareça natural e, em última instância, mais fácil.
Ele apela à compreensão evolutiva do leitor para se manter motivado, ao invés de exibir sua própria experiência. Sempre que você está confundido com os enigmas famosos da relatividade especial - o paradoxo gêmeo, por exemplo, no qual um irmão que anda num foguete de velocidade leve com menos de um que permanece em casa - ele instrui você a "desenhar um diagrama do espaço-tempo". Tais representações visuais, ele observa, deixam a maior parte da estranheza em eventos relativistas.
Friedman aparece como o caminhante mais vocal neste declive acentuado. Ele não é avesso a fazer protestos: "Não reconheço nada disso. Eu pensei que você dissesse que íamos receber a lei da força de Lorentz. "(" Lenny "responde:" Espera, Arte, estamos chegando lá "). Esses júbilos são infrequentes, mas preservam o tom informal do livro. Nessa linha, a narrativa é rica em comentários de uma vez espirituosos e perspicazes. Modificando a citação do físico John Wheeler sobre a relatividade - "o espaço-tempo diz como mover-se; A matéria diz ao espaço-tempo como curvar "- Susskind observa:" Os campos contam como mover-se; As cobranças dizem aos campos como variar. "
Compreendendo o mínimo teórico na relatividade especial e na teoria clássica de campo, no entanto, exige um certo mínimo de preparação e pesquisa. O livro colapsa ocasionalmente contra esse problema, referindo o leitor a volumes anteriores; ou Susskind pode escrever com impaciência: "Se você não sabe o que é um produto cruzado, pegue o tempo para aprender".
Os últimos capítulos são os mais íngremes. Você conhece pontos de referência que teriam sido encontrados muito anteriormente em uma abordagem histórica, como as leis de Maxwell, Charles de Coulomb, André-Marie Ampère e Michael Faraday - e até a descoberta de Maxwell de que a luz é composta de ondas eletromagnéticas, não mencionadas até o fim até o fim. Mas essas conclusões estão fora das ferramentas que você recebeu no seu treinamento intensivo - o que a Susskind chama de "chuveiro frio".
Então, por que comprar o livro quando as palestras estão online? O curso on-line consiste em dez palestras, cada uma em qualquer lugar até duas horas de duração, enquanto o livro é ordenado e conciso. Você pode ir ao seu próprio ritmo, fazer anotações e apreciar onde Friedman - um ex-aluno do curso - torna-se seu stand-in e faz as perguntas que te incomodam. Você pode se referir a algo que você leu anteriormente e localizá-lo rapidamente, em vez de tentar lembrar o quão longe da palestra foi e ignorar até encontrar. Terminando o livro, você, o entusiasta da física, pode não ter uma visão mais profunda de qualquer marco particular na física do que antes. Mas você certamente terá um mapa muito mais confiável do território.
Nature
 
549 ,
 
331-332
 
 
doi: 10.1038 / 549331a
Publicado on-line