sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

A COVID- 19 e a abertura das escolas


         De acordo com Calum Semple, um especialista em surtos da Universidade de Liverpool, Reino Unido, as crianças parecem ser menos suscetíveis ao SARS-CoV-2 do que os adultos, possivelmente por causa de diferenças biológicas inerentes. E estudos em escolas em vários países em 2020, sugeriram que as escolas não eram locais de alta transmissão, desde que tomadas as precauções como manutenção da higiene e distanciamento social. Mesmo com a nova variante do coronavírus chamada B.1.1.7 de rápida disseminação que foi detectada pela primeira vez no Reino Unido em novembro, um relatório de janeiro da Public Health England, uma agência governamental de saúde pública, descobriu que a variante, que se espalhou por dezenas de países, é transmitida com mais facilidade em todas as faixas etárias. Ele também descobriu que as crianças - especialmente aquelas com menos de dez anos - têm uma chance de 50% menor que os adultos de transmitir a nova variante a outras pessoas.

                                                    Disponível em: https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/mundo/2020

De acordo com Calum Semple, as crianças transmitem menos devido às diferenças no número e localização dos receptores ACE2 no trato respiratório; esses receptores são usados ​​pelo vírus para se ligar às células hospedeiras. Acredita-se que as crianças tenham menos receptores ACE2 do que os adultos. E, enquanto os adultos têm esses receptores em todas as vias aéreas, as crianças podem tê-los apenas no trato respiratório superior, diz Semple. Isso poderia explicar por que o vírus parece não se alastrar em crianças pequenas.

Outros pesquisadores sugeriram que as crianças podem estar mais protegidas contra patógenos desconhecidos do que os adultos, porque elas têm um sistema imunológico inato mais responsivo e um maior número de células T imunológicas ingênuas. Mas são necessárias mais evidências para estabelecer se esse é o caso.

O custo do fechamento de escolas - em termos de educação perdida, exposição potencial a abusos e, em alguns países, o fim prematuro da escolaridade em favor do trabalho ou do casamento - pode ter impactos sociais devastadores que afetam uma geração de crianças. Um relatório da instituição de caridade Save the Children em outubro passado previu que, até o final de 2020, meio milhão de crianças a mais do que o normal no mundo teriam sido forçadas a se casar, e mais um milhão ficariam grávidas, como resultado indireto do COVID- 19.

Segundo Catherine Bennett, epidemiologista da Deakin University em Melbourne, fechar escolas pode ter consequências indesejadas. Manter as crianças em casa pode aumentar a transmissão doméstica se os pais trouxerem babás para suas casas. Já outros cientistas acham que os governos devem agir rapidamente quando há um aumento nas infecções, incluindo o fechamento de escolas. George Milne, que lidera a modelagem COVID-19 na University of Western Australia em Perth, diz: “É melhor ir duro cedo e [depois] relaxar.”

Leia mais em: https://www.nature.com/  

doi: https://doi.org/10.1038/d41586-021-00139-3

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