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quinta-feira, 25 de abril de 2019

Câncer de Pele: tipos e fatores de risco.


A pele é o maior órgão do nosso corpo, reveste e assegura grande parte das relações entre o meio interno e o externo. Além disso atua na defesa e colabora com outros órgãos para o bom funcionamento do organismo, como no controle da temperatura corporal e na elaboração de metabólitos. É constituída de derme e epiderme, tecidos intimamente unidos, que atuam de forma harmônica e cooperativa. No entanto, as doenças de pele estão entre as maiores causas de incapacitação no planeta, dentre elas, temos os cânceres de pele.

Pele Humana
Pele humana. Imagem disponível em: https://www.todamateria.com.br/pele-humana/

O câncer é uma patologia de etiologia multifatorial, resultante, principalmente, de alterações genéticas, fatores ambientais e do estilo de vida. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), câncer é o nome dado a um conjunto de mais de cem doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo metastizar-se. Dividindo-se rapidamente, tais células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, gerando a formação de tumores ou neoplasias malignas.

Entre os diferentes tipos de câncer, que correspondem às várias células do corpo, destaca-se o câncer de pele, que se apresenta sob a forma de duas variantes: melanoma e não melanoma. Parece haver relação entre a cópia do fator p53 mutado e câncer de pele, sendo este maligno em mais de 50% dos humanos. O p53 é um gene supressor tumoral encontrado em muitos tumores malignos e benignos, cuja função primária é manter as células em estado de repouso, após um dano ao DNA.

O câncer de pele não melanoma é o mais frequente no ser humano. O termo câncer de pele não melanoma abrange o carcinoma basocelular, mais frequente, e o espinocelular. O impacto do câncer de pele não melanoma para a saúde pública é elevado e, apesar de não representar ameaça à vida, pode causar prejuízos estéticos significativos aos pacientes, pois surge com mais frequência na pele constantemente exposta ao sol, da região da cabeça e do pescoço e especialmente da face.

O câncer de pele não melanoma é o mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Apresenta altos percentuais de cura, se for detectado e tratado precocemente. Entre os tumores de pele, é o mais frequente e de menor mortalidade, porém, se não tratado adequadamente pode deixar mutilações bastante expressivas. Mais comum em pessoas com mais de 40 anos, o câncer de pele é raro em crianças e negros, com exceção daqueles já portadores de doenças cutâneas. Porém, com a constante exposição de jovens aos raios solares, a média de idade dos pacientes vem diminuindo. A estimativa de novos casos no Brasil é de: 165.580, sendo 85.170 homens e 80.140 mulheres (2018 - INCA). O número de mortes no Brasil: 1.958, sendo 1.137  homens e 821 mulheres (2015 – SIM).

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Pele com sinais não melanoma. Imagem disponível em: https://oncologiaavancada.wordpress.com/2014/10/14/pele-nao-melanoma/

 O câncer de pele do tipo melanoma tem baixa incidência e alta letalidade, ou seja, aparece muito raramente, mas tem repercussões mais graves para os pacientes, podendo levar à morte. O melanoma representa apenas 3% das neoplasias malignas do órgão. É o tipo mais grave, devido à sua alta possibilidade de provocar metástase (disseminação do câncer para outros órgãos). A estimativa de novos casos no Brasil é de: 6.260, sendo 2.920 homens e 3.340 mulheres (2018 - INCA). Número de mortes no Brasil:  1.794, sendo 1.012  homens e 782 mulheres (2015 – SIM).

Câncer de Pele Melanoma – O que é, Sintomas e Tratamentos
Melanoma maligno. Imagem disponível em: https://www.saudedica.com.br/cancer-de-pele-melanoma-o-que-e-sintomas-e-tratamentos/

Originado das células que produzem o pigmento da pele (melanócitos), é o câncer de pele mais perigoso. Frequentemente envia metástases para outros órgãos que podem levar o paciente ao óbito, sendo de extrema importância o diagnóstico precoce para a sua cura.

O melanoma pode surgir a partir da pele sadia ou a partir de "sinais" escuros (os nevos pigmentados) que se transformam. Apesar de ser mais frequente nas áreas da pele comumente expostas ao sol, o melanoma também pode ocorrer em áreas de pele não expostas. Pessoas que possuem sinais escuros na pele devem se proteger dos raios ultra-violeta do sol, que podem estimular a sua transformação. Por isso, qualquer alteração em sinais antigos, como: mudança da cor, aumento de tamanho, sangramento, coceira, inflamação, surgimento de áreas pigmentadas ao redor do sinal justifica uma consulta ao dermatologista para avaliação da lesão. Além disso, algumas características dos sinais podem recomendar o exame, portanto conheça o ABCDE do melanoma:
Assimetria: formato irregular
Bordas irregulares: limites externos irregulares
Coloração variada: (diferentes tonalidades de cor)
Diâmetro: maior que 6 milímetros
Evolução: crescimento periódico

Câncer de pele 
Identificação do câncer de pele. Imagem disponível em: http://www.minutosaudeestetica.com.br/postagens/2015/10/10/cancer-de-pele/

É importante saber que o melanoma, quando ainda está restrito à camada mais superficial da pele, não emite metástases para outros órgãos e pode ser curado pela retirada cirúrgica da lesão.

A exposição excessiva e crônica ao sol constitui o principal fator de risco para o surgimento dos cânceres de pele não melanoma. Em relação ao melanoma, no geral, um maior risco inclui história pessoal ou familiar de melanoma, além da exposição esporádica e intensa ao sol com consequente queimadura solar em mais de um episódio. Outros fatores de risco para todos os tipos de câncer da pele incluem sensibilidade da pele ao sol (pessoas de pele mais clara são mais sensíveis à radiação ultravioleta do sol), doenças imunossupressoras e exposição solar ocupacional.

A proteção contra luz solar consiste na atitude mais eficaz à prevenção do câncer de pele. O uso de protetores solares aplicados à pele antes da exposição solar é a estratégia de proteção mais adotada pela população. O fator de proteção solar ou FPS vem descrito na embalagem dos protetores e consiste em um método bem aceito mundialmente para a avaliação da eficácia. Baseia-se na habilidade de proteger contra o eritema solar (vermelhidão após a exposição solar) e se expressa por meio de um número. O FPS de um protetor ter valor igual a 15, por exemplo, significa que, em laboratório, a aplicação de 2 mg do produto a uma área da pele com 1 cm2 aumenta em 15 vezes a resistência dessa região à irradiação solar. No entanto, não existe ainda evidência suficientemente consistente para sugerir que, isoladamente, o uso de protetor solar com alto FPS previna o carcinoma basocelular, o mais comum dos cânceres de pele.

Torna-se, portanto, imprescindível advertir a população de que a fotoproteção para prevenir o câncer de pele engloba não só o uso dos protetores solares, mas principalmente a prática de medidas comportamentais durante o período diurno, entre elas: usar camisas de manga longa, calças compridas e boné ou chapéu, estes últimos, com abas mais largas preferencialmente; utilizar óculos de sol, sombrinha ou guarda-sol; e evitar, sempre que possível, realizar atividades laborais ou recreativas ao ar livre durante as horas mais quentes do dia, ou seja, entre 10 horas e 16 horas.

O diagnóstico precoce e acurado de lesões iniciais e com dimensões menores implica menos chance de deformidades/cicatrizes inestéticas e, até mesmo, de algum prejuízo funcional em decorrência do tratamento cirúrgico do câncer de pele não melanoma. Além disso, a habilidade de suspeição diagnóstica por parte do profissional de saúde em relação a esse câncer permite, muitas vezes, que o paciente com múltiplos fatores de risco receba medidas educativas referentes à exposição solar mais precocemente. No caso do melanoma, o diagnóstico precoce significa preservar a vida do paciente, uma vez que a presença de metástases associa-se à mortalidade elevada e o diagnóstico de lesões iniciais, com espessura ainda inferior a 1 mm, mostra-se como único tratamento realmente efetivo disponível na atualidade.

O médico dermatologista deve ser procurado quando se perceber o surgimento de manchas ou pintas/sinais novos na pele, ou ainda de mudança nas características de manchas ou pintas antigas (mudança de tamanho, de forma ou de cor). É necessário atentar também às feridas que não cicatrizam em quatro semanas. O diagnóstico do câncer de pele envolve principalmente o exame clínico, feito por meio da inspeção visual da pele do paciente, e a análise histopatológica por meio de biópsia da lesão, que está indicada quando, ao exame clínico, houver suspeita de câncer de pele não melanoma ou de melanoma.


Fonte de pesquisa:
Caroline Sousa Costa: Epidemiologia do câncer de pele no Brasil e evidências sobre sua prevenção. Diagn Tratamento. 2012;17(4):206-8;