sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Como os bebês Zika estão vivendo

À medida que os primeiros bebês nascidos com dano cerebral da epidemia de Zika se tornam crianças de 2 anos, os mais gravemente afetados estão ficando mais atrasados ​​em seu desenvolvimento e exigirão uma vida de cuidados, de acordo com um estudo publicado pelos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças.

O estudo, o primeiro a avaliar de forma abrangente alguns dos bebês Zika mais antigos do Brasil, focou em 15 das crianças mais deficientes nascidas com cabeça anormalmente pequena, uma condição chamada microcefalia. Com cerca de 22 meses de idade, essas crianças tiveram o desenvolvimento cognitivo e físico de bebês menores de 6 meses. Eles não podiam sentar-se ou mastigar, e praticamente não tinham linguagem.

Não está claro quantos dos quase 3.000 bebês do Brasil, nascidos com microcefalia, terão resultados tão graves quanto as crianças no estudo, mas as experiências dos médicos que trabalham no Brasil sugerem que podem ser centenas.

O novo estudo, realizado com o Ministério da Saúde do Brasil e outras organizações, avaliou crianças no estado da Paraíba, parte da região nordeste do Brasil, que se tornou o epicentro da crise de Zika. Os pesquisadores inicialmente, estudaram 278 bebês nascidos na Paraíba entre outubro de 2015 e o final de janeiro de 2016.

As crianças foram avaliadas quando tinham entre 19 e 24 meses de idade. Quatro dos 19 avaliados tiveram muito poucos sintomas ou dificuldades de desenvolvimento, e os pesquisadores concluíram que eram "mal classificados" como bebês Zika, possivelmente devido a erros nos testes de laboratório ou na medição da cabeça.

Mas 15 crianças, oito meninas e sete meninos apresentaram uma série de sintomas, a maioria dos quais não melhorou desde a infância. Todos tiveram habilidades motoras severamente prejudicadas, com todas as crianças, exceto um, que atendem as condições para o diagnóstico de paralisia cerebral. A maioria tinha convulsões e problemas para dormir. Oito foram hospitalizados em algum momento, a maioria por bronquite ou pneumonia. Nove tiveram dificuldade em comer ou engolir, o que pode ser fatal porque os alimentos podem ficar presos nos pulmões ou as crianças podem sofrer mal nutrição.

Estudo na Fundação Altino Ventura, que avalia 285 bebês Zika no estado de Pernambuco, um grupo de 40 crianças revelou que elas não estão balbuciando ou fazendo sons de linguagem, muitos não conseguem nem engolir leite regular, alguns precisam de tubos gástricos e apenas dois dos 40 estão caminhando. Os outros estão tendo problemas até para segurar a cabeça.

Agora, o número de bebês nascidos com complicações de Zika diminuiu à medida que as pessoas na região ganham imunidade depois de serem picadas por mosquitos infectados durante a crise e algumas mulheres estão tomando precauções para prevenir a infecção durante a gravidez. No entanto, o Dr. Ernesto Marques, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Pittsburgh e Fundação Oswaldo Cruz em Recife, disse que cerca de 3 por cento das 1.000 mulheres gravidas em uma amostra recente foram infectadas com Zika.

No Brasil, o futuro dos bebês Zika é complicado pela pobreza. A maioria desses bebês são de baixa condição socioeconômica e dependem do sistema de saúde pública. As intervenções mais promissoras incluem terapia de visão e óculos fornecidos a bebês pela Fundação Altino Ventura e injeções de Botox que ajudaram a relaxar os músculos rígidos.

Muitos bebês superaram seus choros intensos e irritabilidade precoce e parecem poder acalmar-se ou ser acalmados por suas mães. Em alguns dos casos graves, no entanto, o tratamento como a terapia física e ocupacional só pode tornar as crianças mais confortáveis ​​e não melhorar seu desenvolvimento. É preciso continuar trabalhando nesta questão e tentar descobrir o que está acontecendo com esses bebês.

Fonte: The New York Times

0 comentários:

Postar um comentário