À
medida que os primeiros bebês nascidos com dano cerebral da epidemia de Zika se
tornam crianças de 2 anos, os mais gravemente afetados estão ficando mais
atrasados em seu desenvolvimento e exigirão uma vida de cuidados, de acordo
com um estudo publicado pelos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças.

O
estudo, o primeiro a avaliar de forma abrangente alguns dos bebês Zika mais
antigos do Brasil, focou em 15 das crianças mais deficientes nascidas com
cabeça anormalmente pequena, uma condição chamada microcefalia. Com cerca de 22
meses de idade, essas crianças tiveram o desenvolvimento cognitivo e físico de
bebês menores de 6 meses. Eles não podiam sentar-se ou mastigar, e praticamente
não tinham linguagem.
Não
está claro quantos dos quase 3.000 bebês do Brasil, nascidos com microcefalia,
terão resultados tão graves quanto as crianças no estudo, mas as experiências
dos médicos que trabalham no Brasil sugerem que podem ser centenas.
O novo
estudo, realizado com o Ministério da Saúde do Brasil e outras organizações,
avaliou crianças no estado da Paraíba, parte da região nordeste do Brasil, que
se tornou o epicentro da crise de Zika. Os pesquisadores inicialmente,
estudaram 278 bebês nascidos na Paraíba entre outubro de 2015 e o final de
janeiro de 2016.
As
crianças foram avaliadas quando tinham entre 19 e 24 meses de idade. Quatro dos
19 avaliados tiveram muito poucos sintomas ou dificuldades de desenvolvimento,
e os pesquisadores concluíram que eram "mal classificados" como bebês
Zika, possivelmente devido a erros nos testes de laboratório ou na medição da
cabeça.
Mas 15
crianças, oito meninas e sete meninos apresentaram uma série de sintomas, a
maioria dos quais não melhorou desde a infância. Todos tiveram habilidades
motoras severamente prejudicadas, com todas as crianças, exceto um, que atendem
as condições para o diagnóstico de paralisia cerebral. A maioria tinha
convulsões e problemas para dormir. Oito foram hospitalizados em algum momento,
a maioria por bronquite ou pneumonia. Nove tiveram dificuldade em comer ou
engolir, o que pode ser fatal porque os alimentos podem ficar presos nos
pulmões ou as crianças podem sofrer mal nutrição.
Estudo
na Fundação Altino Ventura, que avalia 285 bebês Zika no estado de Pernambuco, um
grupo de 40 crianças revelou que elas não estão balbuciando ou fazendo sons de
linguagem, muitos não conseguem nem engolir leite regular, alguns precisam de
tubos gástricos e apenas dois dos 40 estão caminhando. Os outros estão tendo
problemas até para segurar a cabeça.
Agora,
o número de bebês nascidos com complicações de Zika diminuiu à medida que as
pessoas na região ganham imunidade depois de serem picadas por mosquitos
infectados durante a crise e algumas mulheres estão tomando precauções para
prevenir a infecção durante a gravidez. No entanto, o Dr. Ernesto Marques,
especialista em doenças infecciosas da Universidade de Pittsburgh e Fundação
Oswaldo Cruz em Recife, disse que cerca de 3 por cento das 1.000 mulheres
gravidas em uma amostra recente foram infectadas com Zika.
No
Brasil, o futuro dos bebês Zika é complicado pela pobreza. A maioria desses
bebês são de baixa condição socioeconômica e dependem do sistema de saúde
pública. As intervenções mais promissoras incluem terapia de visão e óculos
fornecidos a bebês pela Fundação Altino Ventura e injeções de Botox que
ajudaram a relaxar os músculos rígidos.
Muitos
bebês superaram seus choros intensos e irritabilidade precoce e parecem poder
acalmar-se ou ser acalmados por suas mães. Em alguns dos casos graves, no
entanto, o tratamento como a terapia física e ocupacional só pode tornar as
crianças mais confortáveis e não melhorar seu desenvolvimento. É preciso
continuar trabalhando nesta questão e tentar descobrir o que está acontecendo
com esses bebês.







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