Pesquisa TIC Kids Online Brasil 2016
mostra que a maioria usa o celular como meio para acessar conteúdos online e
41% diz ter presenciado alguma forma de discriminação.
No
momento em que o mundo adulto se vê diante da polarização política acirrada por
bolhas criadas pelas redes sociais, olhar para o que as crianças e adolescentes
fazem na internet se torna essencial tanto para protegê-los quanto para evitar
que repitam ou sejam expostos a comportamentos abusivos, posts de intolerância
e conteúdo violento.
Esse
raio x foi feito pela pesquisa TIC Kids Online Brasil, do Cetic.br (Centro
Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), que
tenta compreender desde 2012 como usuários com 9 a 17 anos lidam com os riscos
e oportunidades da internet. Com abrangência nacional, a pesquisa feita em 2016
contempla 5.998 entrevistas, sendo 2.999 com crianças e adolescentes e 2.999
com seus pais ou responsáveis.
Os
resultados mostram que cerca de oito em cada dez (82%) crianças e adolescentes
nesta faixa etária usavam a internet em 2016, o que corresponde a 24,3 milhões
de usuários. As desigualdades sociais também impactam a distribuição do acesso,
uma vez que ainda falta ao país incluir uma parcela de 5,2 milhões de crianças
e adolescentes, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste e provenientes de
famílias de baixa renda. Em áreas urbanas, 86% das crianças e adolescentes
estavam conectados, em áreas rurais, mas essa proporção era de 65%. Na região
Sudeste, 91% das crianças e adolescentes declararam ser usuários de Internet;
no Norte, apenas 69%.
Como
apontado pela pesquisa TIC Educação, do próprio Cetic.br, e pelo relatório
Horizon Report, feito pelo New Media Consortium, crianças e adolescentes
preferem os dispositivos móveis. A TIC Kids Online Brasil registrou que 91% se
conectavam à rede pelo celular em 2016, único meio em que a diferença entre as
classes sociais se dissipa.
Se
mais crianças e adolescentes estão conectados, a chance de exposição a conteúdo
impróprio também aumenta e isso coloca familiares, educadores e responsáveis
por políticas públicas em alerta. A pesquisa mostrou que, em 2016, 41% dos
usuários de 9 a 17 anos (e na maioria meninas) declararam ter visto alguma
forma de discriminação. Dentro deste recorte, a maior parte diz ter
testemunhado discriminação pela cor (24%), pela aparência física (16%) ou por
alguém que gostava de pessoas do mesmo sexo (13%). Também são relevantes os
casos de preconceito pela religião (10%) ou simplesmente por alguém ser pobre
(8%).
Uma
vez online, as crianças também são alvo de publicidade de brinquedos e outros
itens de consumo, o que provoca a necessidade do debate sobre promoção proteção
de direitos. Cerca de 48% das crianças e jovens entre 11 e 17 anos buscaram
informações sobre marcas e produtos (alta de 19 pontos porcentuais desde 2013).
Outro
ponto é que 7 em cada 10 crianças acessam a rede com a supervisão de pais ou
responsáveis. Geralmente, crianças cujos pais têm escolaridade mais alta e que
estão nas classes A e B se sentem mais protegidas.
No
artigo “Mediação do acesso de crianças à comunicação mercadológica”, as
pesquisadoras Inês Sílvia Vitorino Sampaio e Andréa Pinheiro Paiva Cavalcante
mencionam que, salvo em casos pontuais, as crianças não colocam a escola como
um espaço de reflexão e crítica sobre publicidade online. Esta argumentação
está presente na pesquisa Publicidade Infantil em Tempos de Convergência,
conduzida por meio de uma parceria entre o Centro Regional de Estudos para o
Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e o Instituto Brasileiro
de Opinião Pública e Estatística – Ibope Inteligência, em atendimento a uma
demanda do Ministério da Justiça.
Segundo
as autoras, a origem do problema estaria em uma falha coletiva. “A
regulamentação da comunicação mercadológica no Brasil é uma temática
praticamente ausente na comunicação midiática. Não surpreende, portanto, o
desconhecimento dos pais acerca dessa questão. Na medida em que o assunto
também permanece como uma temática lacunar em escolas, ele mantém-se como um
tópico desconhecido pelas crianças ouvidas na presente investigação”, diz o
texto.
Fonte:
http://porvir.org







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