quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Vírus Zika pode ser transmitido por relações sexuais


O vírus Zika (ZIKV) é um arbovírus que surgiu recentemente no hemisfério ocidental. O ZIKV é transmitido principalmente por mosquitos infectados, no entanto a transmissão sexual também foi documentada. O RNA do ZIKV pode ser detectado no sêmen de homens infectados por até 6 meses após os sinais clínicos iniciais. O ZIKV viável foi isolado dos espermatozoides e os viriões do vírus ZIKV do ejaculado de homens sintomáticos são capazes de infectar células durante a doença aguda. O RNA do ZIKV também foi detectado por PCR a partir do ejaculado de homens vasectomizados. A transmissão sexual do ZIKV deve ser considerada uma possível fonte de disseminação adicional do vírus em regiões onde os vetores primários de mosquitos não são endêmicos.
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Em mulheres grávidas, a infecção pelo ZIKV, particularmente durante a gestação precoce, está correlacionada com um risco aumentado de defeitos congênitos, como a microcefalia. Os relatórios mostram que 5,8% a 8% das mulheres infectadas com ZIKV durante a gravidez tinham uma criança com um defeito de nascença. O desenvolvimento de um modelo animal para avaliar o potencial de transmissão sexual de machos infectados é importante. 
Estudo em ratos mostraram evidências de transmissão sexual do ZIKV do plasma seminal e do fluxo do epidídimo de infectados pelo ZIKV. Mostrou também que doses supra-fisiológicas de progesterona durante a gravidez são importantes em predispor as fêmeas à infecção intravaginal por ZIKV.

Um artigo publicado no The New England Journal of Medicine (2016), relatatou um caso de infecção por ZIKV em uma mulher previamente saudável de 24 anos que vivia em Paris e que desenvolveu febre aguda, mialgia, artralgia e erupção pruriginosa em 20 de fevereiro de 2016. Ela não estava recebendo qualquer medicação, não havia recebido transfusões de sangue e nunca havia viajado para uma região onde o zika fosse epidêmico ou para áreas tropicais ou subtropicais. Sua última viagem fora da França foi para Okinawa, Japão, de 21 de dezembro de 2015 a 1º de janeiro de 2016. Um exame clínico em 23 de fevereiro mostrou uma erupção maculopapular no abdômen, braços e pernas do paciente e uma temperatura de 36,6 ° C. A doença durou aproximadamente 7 dias.

A mulher relatou contato sexual entre 11 de fevereiro e 20 de fevereiro de 2016, com um homem que permaneceu no Brasil de 11 de dezembro de 2015 a 9 de fevereiro de 2016. O contato sexual envolveu sete episódios relação sexual vaginal, sem ejaculação e sem uso de preservativo, e sexo oral com ejaculação.

Populações de mosquitos Aedes aegypti e A. albopictus não estão estabelecidas na cidade de Paris. Além disso, na França, o período de diapausa da espécie aedes se estende de dezembro a maio.

Três dias após o início dos sintomas, em 23 de fevereiro, amostras de urina e saliva, da mulher, foram obtidas. A amostra de urina apresentou resultado positivo para RNA do ZIKV. Estes dados suportam a hipótese de transmissão sexual (oral ou vaginal) do ZIKV da mulher para o homem. Não podemos descartar a possibilidade de que a transmissão ocorreu não através do sêmen, mas através de outros fluidos biológicos, como secreções pré-ejaculadas ou saliva trocada através do beijo profundo. A saliva do homem apresentou resultado negativo no dia 10 após o início dos sintomas, mas não foi testada antes. O ZIKV já foi detectado na saliva, mas, até onde sabemos, nenhum caso de transmissão através da saliva foi documentado.

Os atuais surtos de infecção por ZIKV devem ser uma oportunidade para realizar estudos para entender a história natural do ZIKV. É necessário definir melhor as recomendações para evitar a transmissão do vírus. Em particular, orientações sobre por quanto tempo os homens que estão retornando de uma área onde a transmissão ativa do ZIKV está ocorrendo devem continuar a usar preservativos durante o contato sexual com mulheres grávidas. Além disso, recomendações sobre a possibilidade de transmissão oral do vírus através do sêmen são necessárias.

Trabalhos adicionais para identificar a fonte de persistência viral no trato reprodutivo masculino e para esclarecer a presença de partículas virais infecciosas na fase crônica da doença ajudarão no desenvolvimento de terapias antivirais e direcionarão melhor as modalidades de triagem diagnóstica para prevenir a transmissão sexual e anomalias congênitas.

Fonte: www.nature.com; https://www.nejm.org. Acessado em: 01/11/2018


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