Na
história recente, um aumento inaceitável da Resistência de Microrganismos a
Antibiótico (RAM) surgiu, com evidências de bactérias tornando-se resistentes
não apenas a uma, mas a múltiplas classes de antibióticos. Uma vez surgidas as
cepas resistentes aos antibióticos, elas podem se espalhar rapidamente pelo
mundo e adquirir resistência a classes adicionais de medicamentos. As cepas
multirresistentes (MDR) estão associadas ao aumento da morbimortalidade.
Na
maioria dos casos, a resistência antimicrobiana é o resultado dos mecanismos de
resposta selecionados dos patógenos à presença de drogas antimicrobianas, cujo
uso é globalmente difundido e muitas vezes se desvia da orientação fornecida na
bula. O surgimento de resistência antibiótica bacteriana geralmente ocorre logo
após a introdução clínica de novos antibióticos. Como tal, a resistência tem
sido relatada como sendo mais alta em regiões que têm alto uso per capita
desses medicamentos terapêuticos. Entretanto, o impacto de organismos
resistentes é evidente mesmo em países nos quais o uso de drogas per capita é baixo.
Essa resistência tem consequências dramáticas, como surtos clonais de
organismos resistentes que afetam os resultados dos pacientes.
Os
antibióticos matam as bactérias (bactericidas) ou impedem que elas cresçam
(bacteriostáticas). Os mecanismos antibióticos de ação baseiam-se na (i)
prevenção da síntese de DNA ou RNA, (ii) prevenção da síntese de folato,
bloqueando assim a síntese de ácidos nucleicos, (iii) destruição da parede
celular / membrana e (iv) prevenção da síntese de proteínas interferindo na
função ribossômica.
Mecanismos
de resistência a antibióticos elaborados por bactérias neutralizam a eficácia
dos antibióticos. Os mecanismos de resistência podem ser adquiridos por
transferência horizontal de plasmídeos ou outros elementos genéticos de
bactérias que estão colocalizadas com o patógeno. Alternativamente, a
resistência pode ocorrer através da transmissão vertical por mutações
cromossômicas.
A
figura seguinte, mostra os Mecanismos moleculares de resistência a antibióticos:
Os
mecanismos de resistência podem incluir a expressão de enzimas, como as
β-lactamases, que inativam os β-lactâmicos, ou a remoção do antibiótico pelas
bombas de efluxo. Alternativamente, o alvo do antibiótico pode ser modificado
para que o antibiótico não possa mais se ligar ou interagir com o alvo. As
bactérias também podem ter mecanismos de desvio que contornam a toxicidade dos
antibióticos. Por exemplo, eles podem modificar a superfície da célula para
impedir a entrada de antibióticos. Além disso, as bactérias podem modificar
diretamente os antibióticos para evitar o envolvimento do alvo.
Estima-se
que, até 2050, 10 milhões de vidas por ano possam ser perdidas para a RAM,
excedendo as 8,2 milhões de vidas por ano atualmente perdidas para o câncer.
Para colocar este número em perspectiva, atualmente, pelo menos 700.000 pessoas
morrem de infecções resistentes a cada ano no mundo, mais do que o número
combinado de mortes causadas por tétano, cólera e sarampo. Esse ônus também não
está muito atrás da mortalidade devido a aflições comuns, como doenças
diarreicas ou diabetes. Há vários fatores responsáveis por essa situação,
como o aumento do uso de antibióticos no mundo; falta de melhores práticas
universalmente aplicadas na administração de antibióticos e educação; uso
inadequado de antibióticos na prática médica, como subdosagem e prescrições
para tratar infecções bacterianas menores ou infecções virais; e, além disso, o
uso generalizado e descontrolado em animais para aumentar a produção de carne.
Fonte:
www.nature.com








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