A
informação epidemiológica atual sugere que o potencial de transmissibilidade do
vírus da gripe A (H1N1) é pelo menos comparável ao do vírus da gripe sazonal,
com capacidade de sustentar a disseminação da comunidade. Portanto, não há
razão para esperar que a propagação contínua do vírus pare. Embora a gravidade
da doença clínica observada tenha sido, até o momento, leve na maioria das
pessoas infectadas, ainda existem lacunas críticas de conhecimento, como
gravidade relacionada à idade, fatores de risco específicos para doença grave e
diferenças potenciais de gravidade em diferentes países e particularmente em
países em desenvolvimento. Atualmente, o vírus influenza A (H1N1) é sensível alguns
antivirais e resistente a outros.

A
dez anos atrás, a pandemia global de H1N1 levou cerca 15.000 canadenses para as
enfermarias em apenas uma semana. Segundo a ONU, a demanda gerada, foram mais
de 400 milhões de doses da vacina. Neste ano de 2018, há rumores de uma
epidemia no Brasil. Em entrevista ao portal bbc Brasil, a pesquisadora Nancy Bellei, professora afiliada da
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultora em influenza para o
Ministério da Saúde, informou que os vírus da influenza tipo A que circulam no Brasil são
apenas dos tipos H1N1 e H3N2. Das
74 mortes pelo vírus H1N1 registradas no Brasil, até o início de abril, 31
ocorreram em Goiás. Para se ter uma ideia da gravidade dos casos goianos, basta
comparar os números de lá com os de outros estados — o segundo colocado, o
Ceará, já apresentou 27 óbitos e a Bahia, 13. Em Teresina (PI), atualmente são uma
morte registrada resultante da infecção do vírus da Influenza A. Outras duas
mortes estão sob investigação.
Os
especialistas já explicaram que o H1N1 é o mesmo que deflagrou a pandemia de
2009, chamada à época de gripe suína. Já o H3N2 seria semelhante ao que atingiu
o Hemisfério Norte na última temporada, infectando mais de 30 mil pessoas. A campanha
nacional de vacinação contra a gripe, teve início no dia 23 de abril. Mas a
vacina brasileira vai ser diferente da do Hemisfério Norte, pois a cepa
brasileira de H3N2 é outra, por isso temos a expectativa de que a imunização
será mais eficaz.
Na
vacina distribuída pela campanha também constará a cepa do vírus B Yamagata,
que imuniza contra influenza B. Já em clínicas particulares, o produto será
quadrivalente, contendo também o B Victoria. Em relação à diferença entre a
imunização na rede pública e privada, os infectologistas afirmam que a
vacinação na rede pública já cobre a maior parte dos casos, e que o gasto extra
para distribuir gratuitamente a dose quadrivalente não compensaria pela
proteção. Além do mais, é importante ressaltar que tomar a vacina
quadrivalente, que inclui o B Victoria, aumenta a cobertura, mas de forma geral
os vírus B não costumam dar tanta complicação quanto os A.
A
quem se queixa de adoecer logo depois de tomar a vacina, os médicos lembram
que, no inverno, existe a concomitância de outros vírus respiratórios, como o
sincicial e o rinovírus, não presentes na vacina disponível e que podem
infectar um recém-imunizado.
Para
se prevenir de forma mais ampla, recomenda-se lavar as mãos com frequência ou
higienizá-las com álcool em gel, cobrir o nariz com um tecido ao espirrar ou
tossir, evitar o contato com pessoas gripadas, limpar maçanetas, bancadas,
utensílios de cozinha e brinquedos com água e sabão. Crianças com menos de 5
anos, idosos, grávidas e pessoas com imunidade baixa também devem evitar
aglomerações.
As
manifestações sintomáticas da H1N1 e da H3N2 não diferem muito, segundo os
infectologistas. Coriza, tosse, dor muscular (mialgia), dor de garganta e febre
costumam estar presentes. E tanto uma quanto outra podem levar à Síndrome
Respiratória Aguda Grave (SRAG), que ocorre quando uma infecção bacteriana
acomete as vias aéreas inferiores, causando pneumonia. De todos os casos de
gripe, somente os de SRAG são notificados à vigilância epidemiológica.
Por:
Raimundo Borges/ www.folhacientifica.com.br







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